sábado, 9 de junho de 2007

Dona Anita, o anel e o turco

Dona Anita é gentil e suave senhora de nossa melhor sociedade. Fina, elegante, apreciadora de arte. Dinheiro velho, três gerações, já no finzinho – o que ela fez, bem guardadinho, "nunca se sabe do futuro", diz dona Anita. Foi linda na juventude, lá no nordeste; os anos e o sul deixaram-na apenas muito bonita. Tem um problema, se é que é problema: compra, compra, compra, com a competência da comerciante que foi um dia. Dia desses, feira internacional de artesanato, tropelias e desmaios das madames, dona Anita fez o negócio da China: arrancou por cinco o anel que o turco – da Turquia mesmo – vendia por vinte. Difícil foi arrancar sua mão da mãozona do turco, gordo, careca, bigodudo que queria levar dona Anita, talvez pro harém dele. O que é combinado não sai caro. Explique isso pro turco.

Nepotismo esclarecido é isso

A Folha de S. Paulo de hoje dedica quatro páginas aos grampos aos telefonemas entre Genival Inácio da Silva, Vavá, irmão de presidente Lula, e o nosso bravo ex-deputado suplente Nilton Servo. Seria anedótico se não retratasse a tragédia de nossas instituições e nossos políticos - a tantas, Vavá, visivelmente um falastrão embarcado na posição do irmão, pede "dois pau". Como sempre, o MAX começa a viajar na maionese. 1) Lula sabia das andanças de Vavá e das investigações da Polícia Federal, tanto que chama o irmão para enquadrá-lo. E o Lula estadista, filho de "mulher que nasceu analfabeta" (a mãe do MAX saiu de dona Maria Cândida com PHD da G. Vargas), mandou a PF ir fundo. Problema que vai pegar o D. Morelli, o fac totum de Lula. 2) Vavá foge de dona Marisa Letícia como o diabo da cruz. Quando um dos parceiros sugere que fale com Marisa, Vavá exclama: "Marisa, não". Caiu a ficha do porquê Marisa está sempre agarrada com o presidente - e não é para levar a garrafinha na bolsa. Ali só vai a cigarrilha.
Caiu outra ficha, com aplauso do MAX para o governador Requião, autor desta preciosidade - nepotismo esclarecido. Seus nepotes não cometem barbaridades. Por isso têm que ficar no governo. Já os de Lula, ora, esses não sabem português. Nem são nepotes, na acepção legal da palavra. Precisam mais é de umas palmadas na bunda. Fique tranqüilo, Maurício Requião, o presidente se encarrega dos dele.

O entardecer do fauno

Não é crise de meia idade. Mas pode ser. O MAX resgatou fita cassete com o Prélude a l'aprés-midi d'un faune. É poema sinfônico de Claude Debussy (1894), inspirado no A'aprés-midi d'un faune, poema de Stephane Mallarmé (1865). O fauno - safado, por isso é fauno - almoça e começa a perseguir as ninfas na floresta. Ele queria o que todos os faunos querem de todas as ninfas: aquilo. Não consegue, mas tenta horrores, imagina horrores, fantasia horrores. Linda música, que rendeu balé coreografado por Vaslav Nijinski, bailarino russo. O balé foi um escândalo na Paris de 1912. Se os parisienses ficaram escandalizados, imaginem o que o fauno fazia no palco. Aliás, rendeu bom filme inglês, com o falecido Alan Bates fazendo o empresário-namorado de Nijinski.

Jean Jaurés na TV. E ninguém do PSDB assistiu

Na pororoca de canais a cabo tem o Eurochannel, que tira o sufoco dos filmes americanos. Ontem e hoje passou Jaurés, o nascimento de um gigante (2005), filme da televisão francesa, dirigido por Jean-Daniel Verhaeghe - 47 trabalhos no currículo -, Philippe Torreton e Valerie Kapriski como protagonistas. Dos dois conhecemos só a Valerie, que fez Breathless (no Brasil, A Força do Amor, 1983), com Richard Gere, direção de Jim McBride - a cena em que ela entra no chuveiro é uma das mais sensuais do cinema. Remake do À bout de souffle, de 1960, roteiro de F. Truffaut e direção de J.L.Godard.
Para o PSDB (E. Scalco e V. Rossoni) o filme passou batido. Jean Jaurés (1869-1914) foi o apóstolo da social democracia e do pacifismo. Apoiou a greve dos mineiros de Carmaux, região de Toulouse, em 1902, um dos episódios do filme. Foi também um dos que lutaram pela inocência do Capitão Dreyfuss. Sempre pacifista, morreu assassinado em 1914 por um fanático que defendia a guerra com a Alemanha.
Quando conseguir decifrar a Revista TVA aviso se o filme vai passar novamente.

sexta-feira, 8 de junho de 2007

Wuppelander, deixe os GLBT em paz

(O Globo, online, hoje) A prefeitura e a secretaria de saúde municipal de S. Paulo estrilaram com a organização da 11a. Parada GLBT - para quem não sabe (ou finge não saber): gays, lésbicas, bissexuais e transgêneros. Porque o pessoal distribuiu panfletos, com os logos oficiais, recomendando aos trêfegos participantes da alegre parada cuidados como "compartilhe a droga, mas não o material a ser usado", "faça uma piteira de papel se for rolar um baseado" e esta, que é um acinte à moral e aos bons costumes, "para cheirar, prefira um canudo individual a notas de dinheiro". Além do governo, respeitáveis membros das classes conversadoras, como o prof. David "Próstata" Uip e o delegado Wuppelander Ferreira Neto, titular da Delegacia de Narcóticos criticaram os panfletos.
Igualzinho a história do francês que só sossegou quando queimou o sofá onde madame cometeu adultério (depois disso, o rendez vous só acontecia em hotel). Eta hipocrisia. Deviam dar parabéns aos organizadores da parada. Ou os catões paulistas pensam que sem o aviso os rapazes e as raparigas alegres deixariam de usar drogas? Proibição ou fazer de conta não vai impedir. O certo é tentar indicar cuidado, para reduzir riscos.
Tinham mesmo é que proibir que alguém fosse registrado como Wuppelander. E Neto. Para o nome e para a reincidência não há canudinho nem piteira que resolvam. É vício entranhado no DNA da família Ferreira.

Romanelli, aposte no camelo

Deputado Romanelli, jogue tudo no 8. Hoje é dia 8, e oito é o número do camelo.
É que está chegando na Assembléia o projeto da lei das licitações, que o governo está (re)apresentando. Histórinha rápida: um dia Requião acordou com a sarça ardente, decidiu acabar com a roubalheira. Chamou Sergio Botto e exigiu, como o xará com Moisés, as tábuas da lei de licitações. Botto - procurador geral do Estado - chamou Lilian Didoné, assessora inteligente e preparada, e Lilian ficou um ano trabalhando. Saiu um anteprojeto, redondinho, limpo, bem escrito, no estado da arte e das necessidades do governador. Na Casa Civil passou por uma comissão revisora. Ali perto d'Ele, a comissão entendeu que Requião queria um cavalo novo, não uma olhadinha no trabalho de Lilian. A comissão de Requião fez da lei da Lilian o que a comissão de seu xará fez do cavalo da Criação: produziu um camelo. A Assembléia enfiou mais duas corcovas no camelo. Não dava para montar no camelo, que nem folego tinha para enfrentar as empreiteiras nômades de nossos desertos estatais. Romanelli, jogue no camelo. Mas faça um belo cavalo na Assembléia.

Na bunda não, Requião!

É o outro Requião, o irmão. Maurício, secretário da Educação.
O MAX instala hoje campanha para processá-lo por improbidade. Não é pela compra dos aparelhos de tv; naquilo Maurício está limpo. Mas Maurício tem que ser tirado da secretaria por improbidade pedagógica. Onde já se viu um educador indicar "palmadas na bunda"? Está certo que esse menino, o Stephanes Jr., até merece, pois debandou da manada pemedebista da Assembléia. Logo Maurício, educador de tantos méritos. Agora, se for para surrar os deputados com cinta, conte com o MAX, secretário. Até suspendemos a campanha.