Celso, precisamos parar de nos encontrar dessa maneira. Hotéis, restaurantes, bailes do desmanche, está dando na vista. Não agüento mais os comentários da empregada (também sua leitora, veja só), ciúmes, cara feia, aquela dor de cabeça na hora "h", essas coisas. Até Ele foi reclamar pro Monge, que me impôs penitência de quinze dias fora da Gruta. Sobrou até para a doce Ana Amélia. Só de raiva inventei o MAX. Agora você entrega tudo e elogia o MAX. Meus telefones estão com aquele chiado esquisito, sempre cai a ligação. As patroas devem estar grampeando a gente. É hora da gente discutir a relação.
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segunda-feira, 7 de maio de 2007
sexta-feira, 4 de maio de 2007
Arriba Dinelson
Esqueça essa maldade da crônica esportiva, de que você vacilou, foi estrela, ao bater direto e a bola ser desviada. Eles esquecem que o gol do Josiel foi você quem armou. Bola pra frente, tem mais jogo e nós vamos chegar lá. Nós paranistas não temos isso de ficar culpando o jogador, ainda mais você, que só nos tem dado alegrias – meu primeiro neto vai se chamar Dynnelson, Max Dynnelson, em sua homenagem, claro que com nome repaginado. Também não entramos nesse escapismo freudiano de culpar o juiz. Tá certo, é uruguaio, tem aquela síndrome de República Cisplatina, Mercosul, guerra das papeleiras, essas coisas. O adversário, meta na cabeça, é daqueles cavalos criados ali em Ciudad del Este, só dá pra saída.
Agora, meu rei, toma cuidado quando jogar na Vila. Trabalhei ali perto e sei das coisas. Naquela zona não tem urubu, como aquele que perseguia o Fluminense. Mas tem um cara ali por perto que dá chabu, lá isso dá.
Agora, meu rei, toma cuidado quando jogar na Vila. Trabalhei ali perto e sei das coisas. Naquela zona não tem urubu, como aquele que perseguia o Fluminense. Mas tem um cara ali por perto que dá chabu, lá isso dá.
quarta-feira, 2 de maio de 2007
Se orienta, Botto!
Dizem que o Botto também vai pro Japão. Assim, sem mais, só com o passaporte na mão e aquela inexaurível chama no coração? Então era tudo ficção, ele volta ao mangueirão. Vai de avião, na companhia do seu, do dele, do nosso Requião. Mas Botto, meu Botto, que carão! Se depender da legislação e deste seu irmão você só vai com nomeação. Afinal, sem essa precaução, como vamos fazer a escrituração? Botto, se orienta pela canção. No estado de seu coração, você só vai pro Japão num cargueiro do Lóide limpando o porão. Aprenda a lição!
Tucuruvi, tucuruvia, tucuruvíamos
ESTADÃO DESTE PRIMEIRO DE MAIO: casal flagrado fazendo sexo em caixa eletrônico. Vem o sublead: casal de homens. O caixa eletrônico, do Banco do Brasil. A ocorrência se dá no Tucuruvi, bairro de São Paulo. Nosso Brasil realmente está se emancipando, com atestado de primeiro mundo. Vejam que o vetusto Estadão oficializa o vínculo monossexual – um aluno saiu-se com essa e só muito tempo depois saquei que ele também vinha do Tucuruvi. E que gesto mais patriótico, de fidelidade ao banco que nasceu antes do Brasil – de lá o PT financia Zezé di Camargo e lá mesmo se pode aplacar a fissura das gônadas.
Aplauso para a polícia paulista e seu excepcional tino investigativo. Nada de prendo e arrebento ou de requisitar a fita de vídeo. Os talentosos policiais limitaram-se a pedir a senha da conta.
Tucuruvi, tucuruvi. Chamei um craque no tupi-guarani, o Zeca Mercer, que explicou: "é que nem aquela tonga na mironga do Vinícius, um palavrão. Tu-cu-ruvi é frase completa, com sujeito, predicado e – principalmente – objeto, convite que os guerreiros faziam uns aos outros quando estavam longe de casa".
Aplauso para a polícia paulista e seu excepcional tino investigativo. Nada de prendo e arrebento ou de requisitar a fita de vídeo. Os talentosos policiais limitaram-se a pedir a senha da conta.
Tucuruvi, tucuruvi. Chamei um craque no tupi-guarani, o Zeca Mercer, que explicou: "é que nem aquela tonga na mironga do Vinícius, um palavrão. Tu-cu-ruvi é frase completa, com sujeito, predicado e – principalmente – objeto, convite que os guerreiros faziam uns aos outros quando estavam longe de casa".
terça-feira, 1 de maio de 2007
O Monge quase foi
Irmãos, por pouco não perdemos o Monge - naquela quinta infernal, dia dos depoimentos na assembléia. Não, nada a ver com isso; o Monge não está nem aí. Coincidência pura. Aconteceu no Ecoville, hospital do coração. Não fosse a Irmã Cristina, sempre presente, amorosa e atenta, nosso guia jazeria agora no Panteão dos Heróis, na Lapa. No cateterismo pesado a pressão do Monge baixou para 5 e aquele generoso coração chegou aos 30 batimentos.
Correria, gritaria e energia da Irmã fizeram o Monge reviver, assim como Lázaro – não, lázaro, simples e em dupla, definitivamente não! Eles praticam outra crença.
Na ressurreição o Monge confessou: teve uma visão. Apareceu-lhe o Capataz do alto de uma torre alta e estreita, uma cidade desconhecida, montado num corcel branco e alado, luzes irradiando do corpo e brandindo vigorosamente um alfanje. Ao pé da torre, centenas, famílias inteiras, pais, filhos, irmãos, sobrinhos, parentes e afins, desesperados pediam a atenção do Capataz – que só ao Monge dirigiu um sorriso, tocante no carinho e na doçura.
O bom doutor Kubiak, nosso irmão, amigo e médico do Monge, tranqüilizou a todos do Credo que lá estavam. É normal, trauma cirúrgico. Mas advertiu: o Monge está sofrendo de variante da síndrome de Estocolmo, que provoca no seqüestrado proteção e afeto para com o seqüestrador...
Correria, gritaria e energia da Irmã fizeram o Monge reviver, assim como Lázaro – não, lázaro, simples e em dupla, definitivamente não! Eles praticam outra crença.
Na ressurreição o Monge confessou: teve uma visão. Apareceu-lhe o Capataz do alto de uma torre alta e estreita, uma cidade desconhecida, montado num corcel branco e alado, luzes irradiando do corpo e brandindo vigorosamente um alfanje. Ao pé da torre, centenas, famílias inteiras, pais, filhos, irmãos, sobrinhos, parentes e afins, desesperados pediam a atenção do Capataz – que só ao Monge dirigiu um sorriso, tocante no carinho e na doçura.
O bom doutor Kubiak, nosso irmão, amigo e médico do Monge, tranqüilizou a todos do Credo que lá estavam. É normal, trauma cirúrgico. Mas advertiu: o Monge está sofrendo de variante da síndrome de Estocolmo, que provoca no seqüestrado proteção e afeto para com o seqüestrador...
As tentações da Granja
O cronista fez sucesso e voltou. Falando, claro, do Monge da Carmelo, porque é preciso. As interpretações são livres:
O Monge antecipou seu retorno de Aparecida. Precisou ir até lá para entender que São Benedito não tem santuário, ele está dentro de nós, pode ser cultuado em toda parte, até na Gruta. Mas de São Paulo tirou lições, que já difunde entre os devotos. Uma delas veio do Rabino Sobel, que, diz o Monge, mostrou que até bons companheiros pecam. Vai além, está relendo as Escrituras e por isso não julga nem os maus companheiros. Eles que o julguem. O Monge é a própria imitação do Cristo, todo indulgência e todo compaixão.
Por que o Monge voltou? - A urgência do culto, que cresce a cada dia, criando filas e impondo senhas aos romeiros que disputam sua benção na Gruta da Carmelo? Ou o chamado do Alto, sempre o requisitando pela sarça ardente?
O Monge enche de dúvidas e mortifica os devotos. Nem aos que com ele, e por ele, alcançaram a graça revela suas intenções, seus desígnios mais íntimos. Limita-se a repetir as Escrituras: a granja, perdão, a casa do pai tem muitas moradas...Nada diz sobre "preparar-nos lugar".
Compostela, de onde traria acabada sua doutrina, está cada dia mais distante, quase esquecida. O Monge agora só fala em outro caminho, o de Damasco.
Rezemos pelo Monge.
Por que o Monge voltou? - A urgência do culto, que cresce a cada dia, criando filas e impondo senhas aos romeiros que disputam sua benção na Gruta da Carmelo? Ou o chamado do Alto, sempre o requisitando pela sarça ardente?
O Monge enche de dúvidas e mortifica os devotos. Nem aos que com ele, e por ele, alcançaram a graça revela suas intenções, seus desígnios mais íntimos. Limita-se a repetir as Escrituras: a granja, perdão, a casa do pai tem muitas moradas...Nada diz sobre "preparar-nos lugar".
Compostela, de onde traria acabada sua doutrina, está cada dia mais distante, quase esquecida. O Monge agora só fala em outro caminho, o de Damasco.
Rezemos pelo Monge.
(publ. no blogo do Zé Beto, J. do Estado)
O Monge & o Capataz
Quinta-feira, dia de oferendas na Gruta. Dois romeiros novos, Alexandre Curi e Dobrandino Silva, vêm pedir a intercessão do Monge da Carmelo. Motivo: a saúde do Capataz. Insistem que faça visita à Granja. Irmã Ana e Irmão Distefano desaconselham, sempre reticentes quanto à fé do Capataz.
Relato do Monge, ao retornar. O Capataz está realmente doente. Do corpo, efeito de medicamentos para a pressão. Quanto ao espírito, o de sempre. Aquele, o da chacota. Nenhuma elevação, nenhuma renúncia, nenhum perdão. Só a sedução, à qual o Monge se diz imune, lembrando o Cristo, levado ao alto do monte, quando Lúcifer ofereceu-lhe o mundo. O Monge tranqüilizou os devotos, dizendo que recusa voltar àquele mundo, tão adiantada está a difusão de seu credo.
Disse o Monge, na prédica da sexta, que ao fracassar na expulsão dos vendilhões do templo, perdão, da Granja, seguiu Pilatos: lavou as mãos. Mantém-se em retiro e silêncio, obsequiosos e leais. Segue no propósito de purificar-se, recolhendo-se a Compostela, numa peregrinação que - diz ele nesse sincretismo rejeitado pelo Irmão Distefano, sempre rigoroso na doutrina - aprendeu com João Batista e Buda.
Neste sábado, e até a Páscoa, o Monge, com a Irmã Cristina, permanecem em Aparecida. O Mestre confunde com São Benedito a santa encontrada pelos pescadores. A tantas anda o enlace de crenças do Monge da Carmelo e seu afã de perdoar. Dá para entender, sabendo-o lapiano e desde criança devoto de João Maria, outro Monge da sua Lapa e inspiração do - também outro - Contestado.
Relato do Monge, ao retornar. O Capataz está realmente doente. Do corpo, efeito de medicamentos para a pressão. Quanto ao espírito, o de sempre. Aquele, o da chacota. Nenhuma elevação, nenhuma renúncia, nenhum perdão. Só a sedução, à qual o Monge se diz imune, lembrando o Cristo, levado ao alto do monte, quando Lúcifer ofereceu-lhe o mundo. O Monge tranqüilizou os devotos, dizendo que recusa voltar àquele mundo, tão adiantada está a difusão de seu credo.
Disse o Monge, na prédica da sexta, que ao fracassar na expulsão dos vendilhões do templo, perdão, da Granja, seguiu Pilatos: lavou as mãos. Mantém-se em retiro e silêncio, obsequiosos e leais. Segue no propósito de purificar-se, recolhendo-se a Compostela, numa peregrinação que - diz ele nesse sincretismo rejeitado pelo Irmão Distefano, sempre rigoroso na doutrina - aprendeu com João Batista e Buda.
Neste sábado, e até a Páscoa, o Monge, com a Irmã Cristina, permanecem em Aparecida. O Mestre confunde com São Benedito a santa encontrada pelos pescadores. A tantas anda o enlace de crenças do Monge da Carmelo e seu afã de perdoar. Dá para entender, sabendo-o lapiano e desde criança devoto de João Maria, outro Monge da sua Lapa e inspiração do - também outro - Contestado.
(publ. no blog do Zé Beto)
Sanebras & Sanepíndia
NOS JORNAIS DESTE SÁBADO, 28 de abril: a Índia aprovou lei fixando prazo para o povo parar de defecar nas ruas. Nada para as vacas, que na Índia são sagradas e fazem o número dois onde bem entendem. Talvez o próximo governo resolva, pois tem chance de reeleição - uma pesquisa estima diferença de 10 milhões de indianos a favor.
Mas fiquei matutando, apesar dessa constipação que me trava tudo desde o dia 26, quando o Paraná debateu o trabalho da Sanebras no esgoto do Litoral.
A Índia tem um bilhão de habitantes, oitenta por cento na linha da pobreza, tanto que se banham no Ganges. O que dá 800 milhões de cidadãos todo santo dia indiano fazendo as necessidades nas ruas. Como comem muito pouco, quase nada, devem produzir em média 100 gramas diários per capita. Ou per intestinu. Isto representa 8 bilhões de quilos de cocô indiano por dia (!) - o certo seria calcular em metros cúbicos. Não estou seguro do número - se soubesse fazer contas estaria no Paranasan calculando esgotos e reequilíbrios. Incluí as reincidências dos que vão às ruas - ou vão aos pés, como no Rio Grande do Sul - mais de uma vez ao dia.
Não é falta de esgoto, noticia o Bombay Times. É excesso de indianos, pra não dizer excesso de cocô. A Sanepíndia, retomada dos ingleses, foi ouvida no Raj, o Congresso de lá: tem dificuldade para obter financiamentos, mas seus técnicos são eficientíssimos. Foi muito aplaudida no Raj a exposição da engenheira Indira Schwankaguptra. O BT registra um tumulto no Raj quando o diretor Mahatma Jacabgandhi - experiente e calejado especialista da área - propôs a distribuição de enteroviofórmio à população até que a rede de esgotos indiana cubra (!) 30% da população.
Pra uns constipação é problema. Pra outros é solução.
Mas fiquei matutando, apesar dessa constipação que me trava tudo desde o dia 26, quando o Paraná debateu o trabalho da Sanebras no esgoto do Litoral.
A Índia tem um bilhão de habitantes, oitenta por cento na linha da pobreza, tanto que se banham no Ganges. O que dá 800 milhões de cidadãos todo santo dia indiano fazendo as necessidades nas ruas. Como comem muito pouco, quase nada, devem produzir em média 100 gramas diários per capita. Ou per intestinu. Isto representa 8 bilhões de quilos de cocô indiano por dia (!) - o certo seria calcular em metros cúbicos. Não estou seguro do número - se soubesse fazer contas estaria no Paranasan calculando esgotos e reequilíbrios. Incluí as reincidências dos que vão às ruas - ou vão aos pés, como no Rio Grande do Sul - mais de uma vez ao dia.
Não é falta de esgoto, noticia o Bombay Times. É excesso de indianos, pra não dizer excesso de cocô. A Sanepíndia, retomada dos ingleses, foi ouvida no Raj, o Congresso de lá: tem dificuldade para obter financiamentos, mas seus técnicos são eficientíssimos. Foi muito aplaudida no Raj a exposição da engenheira Indira Schwankaguptra. O BT registra um tumulto no Raj quando o diretor Mahatma Jacabgandhi - experiente e calejado especialista da área - propôs a distribuição de enteroviofórmio à população até que a rede de esgotos indiana cubra (!) 30% da população.
Pra uns constipação é problema. Pra outros é solução.
(publ. no blog do Zé Beto, J. do Estado)
O crime compensa
O crime compensa. Não, definitivamente não estou falando dos políticos, eles não cometem crimes, simplesmente sucumbem à tentação. Falo dos outros, dos que vão pra cadeia. Agora há pouco, 11 horas, Praça do Expedicionário. O garotão, vinte e cinco no máximo, bermudão, camisetão, sandália havaiana, sem tatuagens à vista, me aborda: "Amigo, não tenho vergonha, acabo de sair da penitenciária". Minha resposta de sempre e o gestual de sempre; apalpo os bolsos, estou sem nada, companheiro. Veio aquele sorriso, algo cínico: "nada disso, só quero um cigarro". Dei, me ofereci para acender. Ele tinha isqueiro.
Pensava que cigarro se leva à penitenciária. Livre, o ex-detento quer - sem alternativa - outra coisa, recair no crime. Este aqui atualizou o "inteirar a passagem", "vim do interior, tenho que me internar"; assume (ou mente, por isso lembrei dos políticos) que saiu da cadeia. E os burgueses medrosos aqui até se sentem reconfortados, estiveram perto do assalto. Assunto para a família. Assunto para crônica.
De longe vi que a melódia (sim, melódia, tá no Houaiss) continuava com todos os passantes. Pedia aditivos ao meu cigarro?
Só me veio a lembrança do Millôr, velho e sábio Millôr, quando - agora sim - aconselhava aos políticos: "a melhor malandragem é a honesta, porque não tem concorrentes".
Pois é. Ou o garotão leu o Millôr ou os políticos vão ter concorrência.
Deve ser coisa do PCC.
Pensava que cigarro se leva à penitenciária. Livre, o ex-detento quer - sem alternativa - outra coisa, recair no crime. Este aqui atualizou o "inteirar a passagem", "vim do interior, tenho que me internar"; assume (ou mente, por isso lembrei dos políticos) que saiu da cadeia. E os burgueses medrosos aqui até se sentem reconfortados, estiveram perto do assalto. Assunto para a família. Assunto para crônica.
De longe vi que a melódia (sim, melódia, tá no Houaiss) continuava com todos os passantes. Pedia aditivos ao meu cigarro?
Só me veio a lembrança do Millôr, velho e sábio Millôr, quando - agora sim - aconselhava aos políticos: "a melhor malandragem é a honesta, porque não tem concorrentes".
Pois é. Ou o garotão leu o Millôr ou os políticos vão ter concorrência.
Deve ser coisa do PCC.
(publ. no blog do Zé Beto)
Sexo e maionese
Colaborador famoso, inspirado no texto de Jamur Junior sobre o Renatinho Schaitza, envia uma "história curitibana" - real e das boas: Acabo de descobrir com Jamur e Schaitza que maionese e sexo combinam. Meu avô dizia que "maionese e sexo, só feitos pela minha senhora". A maionese, sou testemunha, era excelente. O sexo devia ser bom, pois produziram doze filhos. E aqui estou eu. Meu irmão Luis Alberto teve seu momento - de sexo e maionese. Um dia desapareceu, deixando bom emprego e bela namorada. Pesquisa na polícia e no IML deram em nada. Um dia começam a aparecer cheques dele, sempre passados para supermercado. A polícia e meu pai encontraram o cara numa favela, escarrapachado num sofá quebrado, agarrado a uma mulher feiíssima. Estava numa boa, e justificou-se pro pai dizendo que "mulher tem muitas, mas que fizesse uma maionese como esta" ele nunca tinha encontrado.
(publ. no blog do Zé Beto, Jornal do Estado)
(publ. no blog do Zé Beto, Jornal do Estado)
Na trattoria do Cláudio Couto
Não é comercial; é justiça. Anote o nome: Cláudio Couto. Gordo, sorridente, atencioso, tem aquela congeniality dos ingleses. Não, não pode ser curitibano. E não é, é carioca. Demorei para me aventurar a conhecê-lo, pois ele inventou de dar a seu restaurante o linguisticamente ofensivo: Atrazzione d'Italy. Assim mesmo, com um "t" a menos e um "z" a mais; além dessa barbaridade de acrescentar um apóstrofo português a um substantivo inglês. O cardápio faria Dante Alighieri fugir daquela falsa tumba em Florença, tanto nele se massacra o italiano. Teve sócios, hoje trabalha só, com um ajudante e um garçom. Acertou no gênero: é trattoria; seis mesas, separadas por parede de vidro que permite assistir o virtuoso na cozinha. O manjericão é plantado no canteiro da rua. O Cláudio me jura que não tem xixi de cachorro. Se tem, não faz diferença, pois este carioca atrevido, ignaro da Divina Comédia, cozinha divinamente. Cardápio rico, italiano fusion, como diria, esnobe, o Fabiano Dalabona, que sabe tudo de comida e cultura italianas. Dou só duas dicas: o filetto di manzo alla polenta, em que ele transforma aquela pasta em algo espiritual, e a carne, quando ao ponto e túrpida do molho de mostarda com funghi, nos levam literalmente ao êxtase - da última vez não resisti e beijei-lhe as mãos. Indispensável - como diria Vinícius, pois comida e mulher é semântica e oportunidade - a hipótese da salada do Cláudio: variada, folhas tenras, tempero essencial e perfeito, e como gordo é sempre exagerado ele ainda nos brinda nela com tiras de carpaccio. Não dou endereço, horário e preços. Seria comercial. Avisei: é justiça.
(publ. no blog do Zé Beto, J. do Estado)
Raça ou religião
Almoço do Jacobina. Na mesa ao lado o casalzinho, pela pasta e pela conversa estudantes da UFPR. Namoro se engatilhando e problemas existenciais sérios, pelo rumo do papo o Apolo negro tinha dúvidas de sua aceitação pela família da amada, linda como a Raquel que Jacó esperou sete anos para levar ao ripah - aquele altarzinho dos casamentos judaicos. Diz lá o Apolo, "não dá, judaismo é raça". Raquel responde, "não é, é religião". Apolo insiste, "é raça". Raquel liquida a fatura, "é religião. Você pode se converter pro judaísmo, já eu não posso me converter pra tua raça".
Caí de boca na polenta e voltei correndo para casa. E para os braços de minha Raquel.
Caí de boca na polenta e voltei correndo para casa. E para os braços de minha Raquel.
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