- Pelos elogios que fez a mim na reunião sobre o aumento das tarifas da Sanepar. O senhor disse que sou competente. Bondade sua, não sou não. Ao contrário, sou despreparado, como o atual presidente do conselho comentou com jornalista (foi até publicado). Tenho sorte, governador, que nem os generais de Napoleão. A única coisa útil que fiz em seu governo – ainda como procurador, frade menor – foi conseguir aquela liminar que restabeleceu o controle do Estado sobre a Sanepar. E reduziu a participação da Dominó no conselho de administração – que lhe dá segurança na gestão (sic) da empresa. Tive sorte também em umas ações de inconstitucionalidade no Supremo, isso no antigamente do primeiro e histórico governo. Fosse eu competente – e preparado, tipo professor – o senhor teria me mandado atender aquelas causas de pedágio, que estão todas resolvidas, numa boa, como sabemos. Eu teria enterrado o governo. O senhor nem deu o trabalho para a PGE, preferindo advogado externo. E olhe que o Botto estava lá.
Da mesma forma agradeço-lhe quando disse que sou também "meio doido". Só meio, porque se fosse doido inteiro iria brigar com o senhor. O senhor sabe o que é um doido, pois teve pai psiquiatra e tem irmão psicanalista. Muito grato mesmo, pois o senhor poderia ter dito que sou meio ladrão, meio corrupto, meio incompetente, meio mau companheiro. Para essas coisas, meio já é demais. Doido não é nada, afinal, de gênio e louco todos temos um pouco. E depois, meio doido é quem nem a história do copo meio cheio, meio vazio. Pãos ou pães, é questão de opiniães, dizia G. Rosa. Minhas tias dizem que sou gênio. Mas elas são tias, não governadoras.
E o que me faz muito, mas muito grato, ao senhor, é ter estimulado minha saída do governo. Isso me abriu a cabeça e trouxe perspectivas. Estou bem, governador – se é que lhe interessa. Não tenho ódios que me escravizem, nem rancores que me dominem. Mas não esqueço jamais do conselho do velho Joseph ao filho John Kennedy: "Don't get mad. Get even". (Aliás, melhor que ninguém o senhor pratica o preceito). Aprendi com meu filho, que estudou com seu filho na Escola Internacional. Espero que eles continuem amigos. Só receio que minha saída do governo possa prejudicar aquela bonita amizade. Paciência. Respeito é via de mão dupla, pois não?- Deste seu ex-eleitor
- Rogerio Distefano
sábado, 2 de junho de 2007
Obrigado, governador
sexta-feira, 1 de junho de 2007
Demissão da diretoria da Sanepar
Sobressalto e agitação na rede com a notícia no blog do Marcus Vinicius Gomes - diretoria da Sanepar demissionária, bronca do governador sobre o aumento da tarifa. Não sei nada, não sou jornalista, não tenho fontes e o pessoal de lá tem medo de retaliações se falar comigo. Só posso especular, pois conheço o povo e o sistema. Vai lá.
- 1) Se o governador deu bronca, pode ter dado, pois ele sempre faz isso - e o aumento da tarifa é tabu para ele, que negou duas vezes, antes e depois da campanha. Aumentar a tarifa agora faz mal à biografia dele. A tarifa é social.
- 2) Os diretores da Sanepar - os do meu tempo - não se demitem jamais. Stênio Jacob por duas vezes disse-me sua frase-padrão: "eu não me demito. Se quiserem, que me demitam". O estilo é o homem, como dizia Bossuet.
- 3) De mais a mais, quem decidiu o aumento da tarifa foi o conselho de administração. A diretoria, é claro, pediu e defendeu, como sempre. Portanto, se bronca couber, a diretoria entra no segundo lugar da fila. Fique claro que não estou defendendo os caras.
João Augusto Fleury da Rocha - te adoro
Estava lendo hoje o anúncio do conselho gestor do Atlético, criticando Onaireves Moura e a diretoria da FPF. Lá pelas tantas tropecei naquele "...importa relevar que a atitude delituosa de tais dirigentes será merecedora da devida resposta nas instituições e foro devidos..." E termina dizendo que pedirá o "...impeachment ...de tais pessoas deletérias...cujo espírito destrutivo, prenhe de inveja..." Pensei, vou espinafrar esse texto. Daí vi lá a primeira assinatura: João Augusto Fleury da Rocha. Só pode ter saído da pena dele. Parei por aí. Conheço o Joãozinho há tanto tempo que nossa vaidade não permite contar. Entramos juntos na faculdade. Aquilo é o João, inteiro e legítimo. Ele escreve daquele jeito, fala e pensa daquele jeito. Até se veste daquele jeito. João é autêntico, puro. Simplesmente adoro o João. Ele só tem um defeito: não é do Paraná Clube.
Luis Cláudio Romanelli, historiador
Tem nome de historiador. Tem a dimensão do tempo na História. Intuitivo como todos os políticos, não sabe desta outra vocação. Confiram. Já que aquele menino rebelde, o Stephanes Jr, tresmalhou-se e votou contra o atual governo, Romanelli que investigar também as despesas de publicidade do governo Lerner. Além da nuance e perspicácia políticas - que honram sua ancestralidade italiana - de não investigar só o governo anterior, Romanelli mostra estar afinado, sem saber, com a melhor e mais atual escola da historiografia, a de Marc Bloch e Lucien Febvre. Bloch aconselha na Apologia da História "compreender o passado pelo presente" e ao mesmo tempo "compreender o presente pelo passado". Romanelli só precisa ajustar sua dimensão do tempo e recuar não quatro (dois Lerner e dois Requião), mas seis governos (um Álvaro e mais um Requião). O historiador Romanelli terá vantagem sobre todos os historiadores: os registros documentais. Além de outra, que nenhum historiador teve: Romanelli também foi personagem dessa História. Não seria estória?
As saias de Clodovil
Sabem aquela? "Não se briga com gente de saia - juiz, mulher e padre." Aprendi na vida, pois só não briguei com padre - até a semana passada, pois depois daquela crônica sobre dom Pedro Fedalto o Euclides Scalco me virou a cara (não foi rima, sim a solução que ele encontrou). Agora o bravo Clodovil, que xingou a deputada, as moças-da-vida e inclusive, por tabela, a mãe, a filha, a mulher e até a namorada da gente, está aprendendo. Ontem quase apanhou no avião, do qual teve que desembarcar. Uma dona deu uma dura nele. A foto dele se escondendo atrás (logo ali, Clô!) do assessor (aquele assessor, com aquele mãozinha, com aquela carinha, não sei não, Clô!).
Mangabeira Hunger
É Unger, alemão, ou Hunger, fominha? Acho que é fominha, com ou sem o "h". Bateu no presidente, depois esqueceu e conseguiu o cargo de ministro. Que não assumiu porque tinha pendência a resolver nos EUA. Dizia que era o ano letivo em Harvard. Papo furado, queria mesmo receber uns atrasados como advogado da Brasil Telecom. (Se o Mangabeira for advogado, desses que tocam causas, eu sou professor de direito administrativo, desses que sabem tudo). Esperteza demais come o sabido, dizem em Minas: deu a deixa para Lula se livrar dele, pois o governo, via fundos de pensão, tem participação na BT. You're too hungry, my dear Unger. É problema de professor que não pode ver dinheiro.
Jocelito, menos!
Ontem levei o Botto para jantar, já que o cara está com a juba toda eriçada. Explico: ele é leonino e acabou o L'Oreal Silver no mercado. Desanuviou, mas feriu meus brios pontagrossenses. Culpa do deputado Jocelito Canto, com essa brincadeira sobre batom na cueca, imagem engraçadinha dele para explicar recentes acontecimentos da Assembléia Legislativa. Nosso Leão da Laurindo pegou no meu pé dizendo que em Ponta Grossa a gente não faz preliminares: fica logo de cueca, sem beijinho nem nada - daí a mancha do batom. Sabem como saí do aperto? - Fácil, Jocelito nem é pontagrossense, caiu de um caminhão de mudança e lá ficou. E deu nisso.
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