domingo, 20 de maio de 2007

Requião san

O editor do MAX subiu nas tamancas com a reportagem do NYT abrindo espaço para o Arcanjo de Curitiba. Só pode ter sido um daqueles mimos à imprensa - nem o vetusto Times, apesar do motto all the news that's fit do print, está livre disso. Como o blog ainda não tem correspondente no Japão, foram disparados acessos frenéticos aos sites em inglês do Asahi Shimbum e do Tokyo Express para localizar registros da passagem d'Ele na expedição ao Oriente. Nada, nem no site do JBIC Japan Bank for International Cooperation, parceiro de nossa Sanebras. A amiga Fukuko Koarata, fluente no japonês, está a caminho da redação do MAX para vasculhar os jornais redigidos naqueles ideogramas. Pelo menos já se sabe que a grafia do nome d'Ele em japonês segue a imagem idealizada de um ginete (homem a cavalo).
Com certeza o enviado especial do Correio Metropolitano lá está para nos reportar os sucessos da expedição d'Ele. Mas quando? Isso do Arcanjo de Curitiba ter chegado antes ao The New York Times está me deixando passado.

Jaime Lerner, arcanjo de Curitiba

Da correspondente do MAX nos EUA, Paula Falce, ex-editora assistente do South Florida Business Journal. Está lá, edição de hoje (20 de maio de 2007) do The New York Times, quatro colunas, sob o título "The road to Curitiba" uma extensa matéria sobre o legado de Jaime Lerner como prefeito da cidade. Reportagem minuciosa, fixada na humanização e no zelo ambiental pela cidade, ilustrada com fotos dos pontos de referência da "acupuntura urbana" operada por Lerner. Recomendo a leitura, basta clicar o nome do NYT no Google. Como sei tudo, paciente terminal das intervenções lernistas, só registro a conclusão da matéria, quando o repórter saiu-se com essa do título: "JL, o arcanjo de Curitiba". Colonizado até a medula, o MAX curva-se à clarividência do Norte e deixa de aplicar a Lerner aquele apodo ofensivo, Gordinho Sinistro.

Pleonasmo enfático

O MAX traz hoje a primeira colaboração de Ricardo Marrone, seu correspondente internacional baseado em Hamburgo, Alemanha, também titular do blog Prozac (r) Republic (http://prozacrepublic.org). Ricardo compartilha com o editor do MAX a paixão pelo Paraná Clube, em si mesmo um pleonasmo, e resgata passagem memorável da Gazeta do Povo.
O presidente do Paraná, José Carlos de Miranda, usou seus conhecimentos de professor de Português para justificar a passagem citada na coluna Intervalo há duas semanas, na qual usou o termo "pessoa humana", tido como redundância. "Se eu quisesse polemizar diria que simplesmente fiz uso de um pleonasmo enfático", disse o dirigente, tentando explicar que quis deixar claro não estar se referindo a nenhuma pessoa má, ou seja, desumana.

sábado, 19 de maio de 2007

Lana Fúlvia

Porque hoje é sábado, um exercício de ficção, pura ficção. Semelhanças com personagens vivos, muito vivos, quase mortos, é mera coincidência.
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- Lana Fúlvia está aí fora. Mal tinha assumido como vereador e nem podia dar bronca na secretária, Cláudia, filha do líder do partido. Lana Fúlvia, pensei, ou é travesti ou atriz pornô. O nome soava artificial, no tradicional padrão arrivista. Lana Fúlvia. Eu viria a descobrir que era perfeito.
- É assessora do gabinete e quer entregar uns papéis...
Melhorou. Tudo aquilo para mim era novo, até o nepotismo - tive que engolir também esta Lana. Acordos do Partido.
- Mande entrar. Vamos ver.
Quando Lana Fúlvia surgiu vieram-me à mente os anagramas possíveis daquele nome. Alta, bonita, barriga-tanquinho escandalosamente exposta, andar ligeiramente genuvaro e o foreves insolente, modelado na invariável calça colante. (No Brasil nunca se respeita o dress code). Português esquálido: confundia post it com postiche; gostava mais de bolsas que do trabalho. Carregava uma pilha de papéis.
- Trouxe-lhe o material daquele projeto-de-lei.
A moça queria impressionar. Perda de tempo, já conseguiu com a indumentária até obscena, detalhando o atributo insolente. Mais perto, quase caí com o impacto do mau hálito. Nem olhei os papéis, descartei logo a moça. Jogada mais velha, essa.
Passei a semana seguinte tomando pé na atividade parlamentar. Colegas, assessores, eleitores, lobistas, tudo me deixava aturdido. Acabei esquecendo Lana Fúlvia. Ela não me esqueceu.
- A doutora Fúlvia quer falar.
Cláudia, cúmplice ou envolvida no encanto fulviano. Logo percebi que Lana adorava seu nome. Lá dentro de mim a voz maldosa recitando o anagrama de Lana. Desta vez vinha num vestido longo, solto, vaporoso mas explícito o suficiente para sempre sugerir a insolência das formas. Perfume de qualidade. Pensei: não entra no “rachide” da Casa. O hálito ainda pesado, que ela disfarçava pondo o indicador entre o lábio superior e o nariz. Infeliz no decote, que fazia adivinhar seios murchos, caídos.
- Trouxe-lhe o relatório, vereador.
Dei olhada rápida. Vou ler depois. Lana Fúlvia não ia embora.
- Temos amigos comuns, vereador.
Tinha feito o dever de casa; descobriu relações, lembrou pessoas que eu conhecia, e outras que nem pintadas eu queria conhecer. Sempre tentando impressionar. Mais provinciana impossível, a Lana Fúlvia.
Onde eu fosse, lá estava ela, roupas e andar torturando o imaginário masculino. Maior a minha indiferença, mais intenso seu interesse.
O outro personagem é Stélio N. Fernandes, presidente da Casa. O “N” um segredo de Estado. O presidente escondia, detestava o nome do meio, erro do tabelião e distração do pai semi-analfabeto: era para ser Stélio Natálio, e não é que o tabelião trocou o “l” por um “r”? O menino Natário só veio a descobrir aos dezesseis, na matrícula do curso supletivo.
A origem humilde foi o estímulo. Jovem até bonito, agradável, insinuante, começou por cima, gerente de pequeno comércio do tio – mas já filiado ao Partidão (transitou intocado durante a Repressão). Dali foi um pulo: mudou de Estado e chegou a secretário de finanças no Norte. Saiu de lá tão rápido quanto chegou; descobriu-se dinheiro em sua conta e ele não explicou a origem. Aprendeu rápido o valor de intermediários e laranjas.
Stélio Natário estava no quinto mandato, três seguidos na presidência. Controlava tudo, de vereadores a contínuos; todos lhe deviam alguma coisa, e todos pagavam, em gênero e espécie; seu gabinete sempre provido de comidas, bebidas, aduladores e mulheres – duas, passadonas, tinham sido de sua “cota pessoal”; hoje, penduradas nas sinecuras, olham com desalento e rancor as novas safras. O poder é afrodisíaco. Não fosse, Stélio sequer daria conta do dever de casa: obeso, dentadura mal aplicada, papada, cabelos ralos, o cinto contendo a barriga perigosamente nas proximidades do púbis, péssimos hábitos à mesa, hipertenso e diabético, no limiar do alcoolismo.
Lana chegava ao fim da última safra. Logo baixaria para a cota das passadas, nova safra despontando. Até hoje não sei se Lana tentou aproximação para escapar do rebaixamento ou era agente infiltrado de Stélio. Há precedentes. Stélio já plantara Janaína, baixada na cota pessoal, como assessora de colega nosso. Lana, incansável, não tanto a alpinista social, mas a mulher vaidosa tentava a todo custo descobrir onde falhava comigo na sedução. Nunca conseguiu. Eu descobri: caráter.
- Achei na internet um relógio antigo, daqueles tipo armário. Está num leilão em São Paulo. O Senhor podia ir ver. Cláudia, aduladora, antecipando vontades. Reservou passagem e hotel. Precisava de pausa da pressão na Câmara. Durou pouco.
- Que coincidência, vereador! Lana Fúlvia sentada exato no assento vizinho do avião. Indo em férias para S. Paulo e encontro o senhor aqui e agora! Coisas do destino, vereador. Lá fomos (viagem curta, felizmente), eu sufocado pelos elogios de Lana e pelos relatos de sua vida movimentada, elegante e plena de personalidades de valor duvidoso.
À noite, no hotel, cansado (cobriram meu lance no leilão), um uísque rápido, banho e um telefonema para Cláudia só para confirmar o que eu desconfiava: Lana soubera da viagem, vôo, destino. Até do hotel. Armação completa, só me falta ela aparecer aqui no quarto. Na Câmara aprendi que ingenuidade é fatal. Bingo! Batida na porta. A própria. Havia se hospedado no hotel e queria conversar. Desta vez minissaia de couro, decote generoso – os seios turbinados recentemente. No resto, igual, muito vulgar.
Fui salvo pelo Fróes, amigo de infância, que sabendo-me em S.Paulo tem sempre um pretexto e parceiro para garimpar restaurantes. Naquela noite, salvo do encanto fulviano, até enfrentei um pulpo en su tinta no Don Curro. Salvo, sim, pois como ia explicar na Câmara ter dispensado a Lana, e naquelas condições tão favoráveis? Nessas horas um bom pretexto vale ouro.

Michael Moore, apareeeça

Michael Moore, o gordão norte-americano que todos conhecemos dos documentários, está com mais um, Sicko, disputando a categoria no festival de Cannes. Como nos demais, neste Moore continua corrosivo na crítica das instituições americanas, agora o sistema de saúde. Sicko, palavra composta, é brilhante sacada no duplo sentido: psicho, pirado, e sick, doente. Tão contundente que Moore declarou em Cannes que teve medo que o governo americano apreendesse o filme antes que ele pudesse apresentá-lo ao festival. Na coletiva à imprensa Moore disse coisas interessantes, que valem para todos, até no Brasil. Nada mudará - diz ele sobre seus documentários - se o público ficar passivo assistindo-os e não levantar da cadeira para fazer alguma coisa. E que, observando os sistemas de saúde da Inglaterra, França e Canadá, os Estados Unidos teriam muito a aprender.
O Moore esqueceu do Brasil, particularmente do Paraná, com sua política inovadora na dispensação de medicamentos. Come down here, Michael.

Quantos bispos tem Hugo Chávez?

Hugo Chávez exige que o papa se retrate sobre o papel da Igreja na evangelização das populações indígenas da América Latina. Afinal, o que disse o papa? - Que a evangelização não foi feita com violência, de forma a alienar a cultura indígena. Chávez saca nisso a responsabilidade da Igreja na extinção de povos inteiros. (Convenientemente ele esqueceu Fernão Cortez, no México). Então vamos pôr as coisas sob perspectiva, começando pela desfeita do papa de só passar pelo Brasil, ignorando a Venezuela. Lembremo-nos que Bush fez o mesmo e de imediato Chávez - como El comandante Fidel - criticou o programa do álcool combustível. Chávez sabe, afinal a Venezuela produz petróleo (e Cuba cana - relevem-me o efeito fonético) e a alternativa do etanol reduz-lhe os petrodólares (que está literalmente queimando em políticas puramente clientelísticas, sem investimentos duradouros em infraestrutura e alavancagem social). A História, que Chávez conhece muito bem, é a crônica da violência e do morticínio. Não há como resgatar tragédias históricas e ficar nesse ajuste interminável de contas. Devemos tirar dela lições - historia magistra vitae, a mestra da vida - e aprender com os erros do passado. Para não repeti-los. Será que Chávez sabe disso? Que leia a história da Venezuela dos últimos cinqüenta anos. No passo chavista iremos recuando até o início dos tempos e não chegaremos a lugar nenhum. Demagogia pura.
A bravata do Chávez me faz lembrar aquela de Stálin, outro ditador, quando lhe sugeriram em 1939 amenizar o tratamento dos católicos russos como gesto de boa-vontade com o papa Pio XI. Stálin desdenhou: "quantas divisões tem o papa?" A História mostrou que é muito forte o poder das idéias e da fé. O comunismo foi e a Igreja está aí. Ainda que mal pergunte: "quantos bispos tem Chávez?"

Ah, esses paraguaios

Do ABC de Assunção, Paraguai. Ainda bem que por aqui não temos dessas coisas.
POR UNA SUMA QUE SUPERA LOS 4 MILLONES DE DOLARES
Contrataciones Públicas monitorea millonarios contratos en Salud Pública
Cinco operaciones contratadas por el Ministerio de Salud para provisión de alimentos, gases medicinales, medicamentos y ambulancias por valor de más de 21.000 millones de guaraníes (más de 4 millones de dólares) están siendo monitoreadas por Contrataciones Públicas. Varias de las operaciones ya están con órdenes de instrucción de sumarios y otras inclusive ya cuentan con informes de auditores. Hay sospechas de graves irregularidades
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