domingo, 13 de maio de 2007

Se...

Justo agora, quando eu pensava em roer a corda, ou descansar até segunda, chovem telefonemas perguntando do Se, do Rudyard Kipling. Uns querendo ler, outros revoltados porque eu disse que era leitura de auto-ajuda. Vai lá, na tradução de Guilherme de Almeida, que consegue ser melhor que o original. Tomei a liberdade de justificar - na acepção informática - a referência aos companheiros, bons e maus. Homenagem do MAX às mães de todos os companheiros.

Se...
Se és capaz de manter a tua calma quando
Todo o mundo ao redor de ti já a perdeu e te culpa.
De crer em ti quando estão todos duvidando,
E para estes no entanto achar uma desculpa.

Se és capaz de esperar sem te desesperares,
Ou, enganado, não mentir ao mentiroso,
Ou, sendo odiado, sempre ao ódio te esquivares,
E não parecer bom demais, nem pretensioso.

Se és capaz de pensar — sem que a isto só te atires;
De sonhar - sem fazer dos sonhos teus senhores;

Se encontrando a Desgraça e o Triunfo conseguires
Tratar da mesma forma a estes dois impostores.

Se és capaz de sofrer a dor de ver mudadas
Em armadilhas as verdades que disseste;
E as coisas, por que deste a vida, estraçalhadas,
E refazê-las com o bem pouco que te reste.

Se és capaz de arriscar numa única parada
Tudo quanto ganhaste em toda a tua vida,
E perder, e ao perder, sem nunca dizer nada, Resignado, tornar ao ponto-de-partida.
De forçar coração, nervos, músculos, tudo,
A dar seja o que for que neles ainda existe,
E a persistir assim quando, exaustos, contudo
Resta a vontade em ti que ainda ordena: "Resiste!"

Se és capaz de entre a plebe não te corromperes,
E entre reis não perder a naturalidade;
E de amigos, quer bons, quer maus, te defenderes,
Se a todos podes ser de alguma utilidade.

E se és capaz de dar, segundo por segundo,
Ao minuto fatal todo o valor e brilho,
Tua é a Terra com tudo o que há no Mundo.
E o que é muito mais — és um homem, meu filho!

sábado, 12 de maio de 2007

De profundiis

De profundiis é do Salmo 130. Das profundezas a ti clamo, ó Senhor. (...) Se tu, Senhor, observares as iniquidades, Senhor, quem subsistirá? O salmo também foi usado por Oscar Wilde na cartinha para o namorado traidor. Ousado, esse uranista. E agora eu, tentando ser cristão, acusado de gay nas mensagens que recebo. Que não publico porque anônimas (os missivistas ainda não descobriram que existe IP). Gay que gosta de garotinhos. Gosto mesmo - e de garotinhas, cachorrinhas, galinhas (de preferência caipiras e com polenta), até coelhinhas - , tanto que o nome deste blog é homenagem a um garotinho. Tem um missivista que me chama de corcunda caolho, de 1,50, vesgo. Aí acerta na meia verdade. Caolho sim, efeito de cirurgia, e por isso também vesgo - até assumi este em criação quase literária. Corcunda, quase; desobedeci ao dr. Vialle quando recomendou RPG. Agora, 1,50 é maldade, doeu. Tenho 1,683, que disfarço com sapato de plataforma, calça com cintura baixa (como aquelas do Burt Reynolds) e outros recursos que não revelo. Isso só pode ser vingança de quem se identificou com Lara Cuervo, o mais bem acabado personagem da minha ficção. Não ofende, só diverte. Para minha sorte tenho excelentes amigos em todas essas categorias. E exemplos literários; além do O. Wilde o Gore Vidal, que uma vez perguntado sobre suas preferências saiu-se com esta: "no sexo já experimentei de tudo, menos crianças e animais. Mas ouvi dizer que o reino vegetal oferece imensas possibilidades". Não cheguei nem perto. Corcundas, teve o de Notre Dame, paradigma de justiça e humanidade, o Stephen Hawking, que vai viajar pelo espaço. Já caolhos, então, a lista é imensa e recito de memória: Sartre, Camões, Jack Elam, o melhor coadjuvante do faroeste, Moshe Dayan e Filipe da Macedônia - aquele que derrotou Ciro. Ciro, da Pérsia. No entanto, há gente que me acha bonito, sensual e charmoso. São pouca(o)s. Mas contam.
Dou folga de hoje até segunda, se agüentar e os "maus companheiros" permitirem - afinal, mandam no pedaço. Segunda-feira volto para dar batalha.
PS. Vou contar um segredo. Isso de maus companheiros - que acho uma contradição em termos - é coisa do Botto, que recita o SE, do Kipling, de trás para a frente. É o texto de auto-ajuda dele. Para Ele.

sexta-feira, 11 de maio de 2007

Patrocínio da Sanepar - só meio favorecimento

A comunicação social da Sanepar respondeu ao Zé Beto, não para mim. Eles são lá loucos de dignificar o MAXBLOG? Resposta patética, tapando o sol com a peneira, como se todo mundo fosse bobo: o patrocínio era do Museu, não da Sanepar. Além disso, Marco Antonio Jacob só teve pequena participação no projeto. Jogaram a batata ao Museu, pois se doer em dona Maristela dói n'Ele. E daí, sai de baixo que Clausewitz entra em ação. Gente esperta. Esperta até demais.. Só que esqueceram que o dinheiro saiu da Sanepar para o Museu - pela Lei Rouanet, que com os repasses da Sanepar institui-se um orçamento exclusivo e paralelo para o MON. E todos, repito, todos os patrocínios do MON pagos com dinheiro da Sanepar passam pela diretoria plena, e dependendo do valor pelo conselho de administração. Pela nota da Sanepar ao Zé Beto pode-se entender que foi um caso único. Ora, ora, seu Nilson, aqui ninguém é burro.
E que gracinha aquilo de que o filho de Stênio só participou de parte do projeto. Isso pode? Muda alguma coisa do que eu escrevi? Parece até aquela história da meia gravidez...

Efemérides

Os jornais antigos tinham a seção das efemérides, assuntos sem maior destaque, mas de grande apelo para curiosos terminais. Registro só duas aqui, meio provocativas: 1) ainda há dúvida entre aqueles meus três leitores sobre quem seja o Gordinho Sinistro. Vou esclarecer e acabar com meu martírio - é o Jaime Lerner (leiam a postagem sobre o sinistro); 2) e não é que o Germinal ainda não me ligou para desmentir a carta Cohen? Um dos três leitores, meio paranóico, diagnosticou: ele deve ter assumido a autoria, sacrificando-se a uma superior raison d'État (razão de Estado, uma das expressões prediletas do francófono Germinal).

O terço de dona Marisa

O papa Ratzinger não dorme na cadeira papal. Chegou no Brasil e já foi cobrando do presidente Lula uma concordata com o Vaticano: nada de vínculo empregatício entre padres e a Igreja e ensino religioso nas escolas. E jogou um lance emocional no presidente: quero realizar isso ainda em meu pontificado. E Lula, sempre sabonete, responde: não, Santidade, espero que seja ainda no meu mandato. E um registro em favor da assessoria de Lula: ele não beijou o anel papal. Com isso afirmou a separação entre Igreja e Estado. Se fizesse estaria também desrespeitando a bandeira, pois aquele Ordem e Progresso foi lá posto pelos positivistas exatamente para demarcar a separação, o Brasil como estado laico. Só não entendi aquilo de dona Marisa Letícia com um terço na mão ao cumprimentar o papa. Afinal, não era hora de missa.

Sou - mas quem não é?

Pois não é que estão dizendo que eu sou da oposição? Que novidade! Sou da oposição desde criancinha. Muito tempo segui a linha Chaplin: anarquista lírico. Meu problema foi um só nesse tempo todo: encontrar um partido que me apetecesse, sem políticos fisiológicos, demagogos, corruptos, nepotistas - com um ou todos esses atributos; um partido que tivesse identidade. Até hoje não encontrei um sequer. Para amenizar a frustração filiei-me a um partido chamado Brasil. É fácil, basta o pai da gente ir ao cartório. Desse partido nunca saí, nem mesmo para aquele outro, o da dupla nacionalidade. Agora falando sério: alguém com o juízo perfeito pode estar tranqüilo com o que temos aqui no Paraná?

Carta a Germinal Poca, diretor da Sanepar

Caro Germinal
Criei fama de que sei coisas demais. E isso, Germinal, passou a ser um incômodo para algumas pessoas de complicado prontuário. Vêem-me como um arquivo ambulante que precisa ser urgentemente desqualificado, tal o perigo que imaginam rondar suas biografias caso eu me disponha a franquear minhas volumosas pastas.
Faço este preâmbulo para dar-lhe ciência de que pessoas sem caráter, perfeitamente identificáveis, estão usando seu nome para constranger-me. Chegaram a enviar uma carta a redações de jornais – em que você aparece como remetente –, na qual tentam usar um episódio de minha vida pessoal já perfeitamente esclarecido e superado.
Conheço você, somos amigos e sei que não é o autor da tal carta. Nem mesmo o português e o estilo são de sua lavra. Os canalhas que usaram seu nome utilizaram-se também de um endereço que já não é seu há 15 anos.
Não é mera coincidência o fato de esta “carta” estar sendo divulgada justamente quando a Assembléia Legislativa me convida para depor sobre a desastrada administração da Sanepar, que conhecemos – você e eu – tão bem. Tanto que lutamos – friso de novo: você e eu – para restabelecer o mínimo de ética e de competência que se exige dos administradores públicos. Daí a ansiedade doentia dos envolvidos, direta ou indiretamente, nas malfeitorias que se praticam lá dentro.
É dessa gente que parte a tentativa (inútil) de intimidar-me.
Na carta, que não é sua, sou acusado de delator porque – segundo eles – falo com a imprensa. Falo sim, mas depois que saí da Sanepar. Antes, eu falava e escrevia lá dentro. Afinal, sou cidadão e tenho direito. Minha sociedade é a civil, não aquela, secreta, que exige omertà. Para minha sorte, nessa carta nada se diz sobre meu trabalho. Ah, sim, sou criticado na carta porque criei o blog. Ou seja, além da omertà feri a regra da contenção, da resignação, do silêncio obsequioso. Nem aqui, nem na China.
Vou continuar, e com mais disposição. Lembra que eu lhe dizia que sairia do governo em 31 de dezembro do ano passado, silenciosa e calmamente? Não deixaram. Agora vêm as cartas. Pois então vamos à luta, na velha lei de Talião. Tenho certeza que estou mais limpo que nosso missivista – e seus comparsas.
Rogerio Distefano
ET. Não estranhe o horário da postagem. Não perdi o sono. É que sempre dormi pouco.